Um Breve Acontecimento Sobre Dores E Gratidão - E aí Ferrá

Um Breve Acontecimento Sobre Dores E Gratidão

11:00:00

Acho que desde que conheci a menina Dani, eu nunca mais parei de falar sobre gratidão e hoje não será diferente. Primeiramente, peço desculpas por não ter postado no dia de ontem, por esse breve atraso de 24h. Tive alguns problemas de saúde que explicarei aqui no parágrafo abaixo e, infelizmente, não havia conseguido finalizar o post que eu esperava ter postado e programado pra vocês. 


Era quase 1h da madrugada quando eu finalmente havia finalizado meus afazeres artesanais e pude me permitir ir para a cama. Alguns minutos após cair num delicioso cochilo eu acordo. Antes fosse um pesadelo, mas não. Minha boca parecia estar tendo todos os dentes e ossos do lado direito triturados e arrancados. Uma dor que nunca havia sentido se irrigava da articulação da minha mandíbula até meus dentes posteriores e, depois, subia pelos ossos até a sobrancelha. 

Eu não fazia ideia do que poderia ser mas a explicação mais plausível é que um destes famigerados dentes do siso (ou do juízo) estaria se mexendo. Eu já tinha conhecimento sobre seu nascimento mas dentre os pequenos incômodos sentidos anteriormente, nada se comparava a essa dor lacerante que se espalhava sob a minha pele. Depois de um tempo massageando, empurrando os dentes, mudando de posição e fazendo tudo o que me vinha a mente para fazer essas dores irem embora tomei coragem e acordei a ilustre Dona Sandra, A.K.A. Mainha, com os olhos marejados e o coração apertado por perturbar um de seus breves períodos de descanso.

Seus olhos arregalados não diminuíram com a notícia da dor. Ela se viu tão em dúvidas quanto eu mesma, me deu um remédio conhecido e relativamente forte para a dor. Após as principais pontadas terem a fineza de sumirem, o som de uma respiração aliviada surgiu em coro e nos pusemos a dormir novamente. Entre 2h e 3h a bomba parecia explodir novamente em minha boca, atacando agora meu ouvido e embrulhando meu estômago com sua agudez nada afinada. 

Morder o travesseiro, exercícios respiratórios, fio dental, nada apaziguava a guerra entre minhas células e os impulsos nervosos da dor. Com o decair das lágrimas - que insistiam em cair mesmo enquanto eu tentava guardá-las a sete chaves - a dor me enganava. Puramente iludida entre seu quase sumir e seu novo ataque, vejo que mainha se remexe na cama e percebe-me sentada.

- Está com dor?
*voz de choro* - Muita.

Uma única palavra se torna suficiente para ver que ela se angustia tanto quanto eu na tentativa de entender o que se passava nesse rostinho de pivete chorona. No momento meus pensamentos se misturavam entre possíveis soluções para a dor - inutilmente divulgadas na internet da forma mais vulgar possível - sobre as possibilidades dessa dor interferir na minha tão aclamada viagem programada para daqui uns dias, como eu diria para o Lu que talvez não poderia ir mais, porque infernos eu gastei tanto num maiô para que não fosse mais usá-lo na viagem, como minha cara ficaria ao arrancar o siso e como eu queria que tudo isso passasse logo.

Estava tão focada em toda a minha ansiedade gerando preocupações inutilmente desnecessárias para o momento que sequer pude pensar em outras possibilidades sobre o que seria tudo isso. Tudo o que minha mente me permitia era ter o estômago embrulhado pelos medos e anseios, o coração palpitando acelerado, os olhos cheios d'água e um pensamento incompreensivelmente cheio. 

Enquanto isso, minha mãe se postava entre um local e outro se perguntando o que fazer, com quem falar, compressa quente ou fria? Após algumas dores indo e vindo, apostamos unanimemente na compressa quente e pela graça da vida acertamos. O alívio me trouxe um mínimo de paz temporária, porém a madrugada já estava tomada pelas conversas entre nós duas, plenamente acordadas das 2 horas e alguma coisa até - no mínimo - meio dia e meio. 

Com tanto acontecendo, me vi presa na seguinte armadilha da vida: desde setembro eu e o Lu comemoramos nossos meses juntos todos os dias 30. Ele viria me ver para passarmos um bom dia juntos e eu não fazia ideia de como enfrentaria um dia inteiro tentando curtir a presença dele comigo com essas porradas de dor vindo inesperadamente e lutando bravamente contra os efeitos do remédio mais forte que tinha em casa.
30 de Dezembro de 2016 - 3 meses de namoro
Eram 6 horas da manhã quando minha mãe mandou a primeira mensagem para uma amiga dentista. Sem resposta até as 7 horas, ela liga para continuar a ver navios. Em poucos minutos tentamos outra amiga que poderia ajudar. Afinal, estava tão na cara que era o dente do siso que sequer poderíamos imaginar outro doutor. Oito horas da manhã - sem nenhuma pausa para o soninho, já que deitar trazia as dores de volta - estávamos nós três no consultório. 

Olha aqui, aperta dali, pergunta isso, supõe-se aquilo. Havia sido habilmente enganada por minha própria mente ao esquecer de uma gripe que se finalizava. A nova proposta: sinusite - bem forte por sinal. Acredito que a partir daí uma paz já começou a me invadir, mesmo que minimamente. Sendo algo diferente do siso, minha viagem se mostrava salva. 

Do consultório da dentista pra casa - com mais calma meu estômago aceitou de bom grado um copo de leite com toddy - e logo nos encontrávamos na salinha de triagem do centro de referência. Pressão, ok. Temperatura, ok. Batimentos cardíacos, ok. Dores, nada ok. 

Conversa com o médico, relembro dos últimos dias entre algumas respiradas profundas - nada além de uma inútil tentativa de fazer a dor se esvair - e a seguinte proposta: tirar um raio-x da cara toda para confirmar ou descartar a tal da sinusite, aplicar um soro com alguns medicamentos para a dor e pensar num novo diagnóstico. Enquanto ele e minha mãe falavam sobre uma tal de Nevralgia do Trigêmeo eu vagueava em minha mente pensando que bendito trigêmeos seriam estes. Só depois de um pedido de tradução obtive minha resposta: esse nome todo complicado pra falar sobre uma inflamação num nervo bem desgraçado que causa dor em metade da cara. 

Enquanto esperava a preparação do soro me dirigi para congelar na sala do raio-x. Um piercing torto a mais e um diagnóstico a menos depois, me vi com esse trem de nome complicado. Só sei pensar o quanto desejo logo o soro para sentir a dor indo embora. Um saquinho de soro depois e nada da dor. Conversinha vai e vem com o médico e lá vem mais remédios. Por sorte da vida, logo me encontrei acompanhada das pessoas que mais cuidariam de mim nessas últimas 24 horas. Dona Sandrinha e o menino Luciano estavam ali para me ajudar a esquecer um pouco da dor. Não que o remédio fosse fazer efeito naquele instante - a dor só passou umas duas horas depois do fim do segundo soro - mas não estar sozinha e, principalmente, estar acompanhada deles tornou as coisas um pouco menos piores.

Não bastasse a presença reconfortante, foi dia de receber um mimo, uma rosa para me trazer bons sentimentos enquanto me via presa à agulha. Mal sabia eu que um dia que começara tão imprevisivelmente ruim poderia se tornar tão maravilhoso.
Esteja com alguém que saiba transformar mesmo os seus piores momentos em algo melhor.
Uma visita a uma otorrinolaringologista depois do almoço - somem uma câmera passeando nos meus seios nasais e um total de receitas de remédios de 3 médicos diferentes nisso tudo - era hora de finalmente ir embora com o diagnóstico total: sinusite + nevralgia do trigêmeo = remédios caros, remédios estranhos e limpezas nasais diárias. 

Parece ter se passado bons dias durante tanta coisa acontecendo, mas eram apenas 16 horas da tarde quando eu estava de volta em casa, milagrosamente sem sinais de dor e com o resto do dia para aproveitar a presença do mozão, o xamego da mãe e a harmonia da ausência da dor. 

Não sei se foi a distração de perder inúmeras vezes enquanto jogava Yu Gi Oh com o Lu, os sorrisos que tiramos um do outro, os abraços apertados que ganhei da minha mãe ou mesmo a alegria de não sentir mais meu rosto sendo dilacerado por criaturas invisíveis sob a minha pele. Tudo o que eu sei é que meu rosto se recusava a parar de sorrir. A felicidade em algum momento dessa confusão toda, resolveu que era hora de se instalar plenamente em minha alma, sem motivo algum para se abalar.

O resto do dia regado a sorrisos, até mesmo fotos - mesmo eu parecendo que tomei 3 socos em cada olho por não ter dormido - e alguns tiros de Nerf me faz refletir até neste exato momento sobre o que realmente é ser grata.
Te achar linda quando você está toda produzida, qualquer um faz. Te achar linda e fazer questão de demonstrar e dizer quando você está sem maquiagem, despenteada, doente, tomando soro e parecendo que tomou três socos em cada olho, isso só alguém especial.
Neste dia eu fiz textão no Facebook sobre nosso "mesaniversário" de namoro e senti meus olhos transbordarem enquanto escrevia por me sentir tão grata de ter um namorado que me vê esse panda e ainda me chama de linda, que salvou boa parte de um dia que prometia ser desastroso e triste, que me arranca sorrisos sinceros mesmo quando meus olhos estão cheios de lágrimas salgadas de sentimentos não tão bons. Que me lembra de tomar meus remédios e se preocupa em saber a cada instante se estou me cuidando direitinho para poder passar a virada do ano com ele.

Neste dia eu chorei enquanto agradecia com a maior honestidade que podia à minha mãe. Não apenas por cuidar de mim - algo que ela diz ser obrigação dela - mas por ser a mulher incrível que ela é e por me guiar sempre para que eu seja o melhor de mim. Desta vez, não chorei por medo, chorei de uma gratidão tão real que não pode caber em meu peito. Ela diz que não preciso agradecer, mas parece ser impossível não externalizar tudo isso que explodiu hoje em meu peito em relação a ela. 

Hoje, depois de tanto tempo pensando e refletindo sobre o que é a gratidão real, eu finalmente pude sentir e entender o seu poder. Não é algo que uma simples palavra como "obrigada" pode definir. Depois de hoje cheguei a uma conclusão de que a gratidão não é algo que você simplesmente demonstre, é um sentimento tão maior que isso que não acredito que exista uma palavra - ao menos nesta língua - que possa englobar tudo que ela pesou em mim. Hoje eu sei que a minha gratidão verdadeira transborda em diversas maneiras que seria impossível contê-la. Agora eu desejo do fundo do meu coração que você que está aqui, lendo essa história toda, possa sentir tudo o que eu senti hoje, seja por um dia, um momento ou uma vida inteira. Desejo que você encontre seu motivo para ser grato e consiga transbordar tudo o que sente, espalhando cada boa energia que te cercará.

Que em 2017 cada um dos seus momentos seja o melhor possível e que você possa sentir a verdadeira gratidão e felicidade em cada um dos seus dias.

*As fotos de hoje não tiveram nenhum intuito se não mostrar a realidade desse meu dia, foram tiradas de celular, sem produção, comigo doente e parecendo que saí do octógono, peço perdão pela falta de qualidade mas espero que entendam o quanto elas significam pra mim e tudo o que quis passar com elas*

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2 Comentários

  1. Minha linda, as fotos estão ótimas mostrando como foi seu dia. Amei saber um pouquinho mais.
    Desejo apenas que sintamos gratidão por cada momento vivido.
    Beijos.

    meumundosecreto

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  2. É muito amor! Vocês são lindos demais. Toda vez que você me fala do Lu da vontade de morder, e logo penso que é ele que ficará com você pra sempre te fazendo agradecer por todos os outros que passaram em sua vida e não deram certo.
    Amo vocês <3

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